
"O tema deste ano surge no contexto de crise capitalista que se
agudizou drasticamente a partir da pandemia por Covid 19, com início no final
de 2019. A crise estrutural do capital, para além da crise econômica, é também
uma crise social, política, cultural, urbana e ambiental, ou seja, uma crise
civilizatória. Revelam-se, no mundo das trocas e da propriedade privada,
avanços no desemprego, na precarização, nas péssimas condições de vida da
classe trabalhadora, nas desigualdades, na pauperização, na criminalização da
pobreza, na educação, dentre outros processos que aprofundam a contradição
entre o capital e o trabalho e entre a economia e a sociedade. Podemos falar de
diferentes processos que agudizam as expressões da questão social, que se
apresenta na (re)produção da barbárie, da violência sistemática e em um racismo
estrutural. Tal dinâmica escancara também o ataque aos recursos ambientais do
nosso planeta. Para os países da América Latina e do continente africano tais
ataques são ainda mais graves, pois tais territórios além de serem alvo
histórico de colonização, reúnem uma verdadeira riqueza de biodiversidade,
fauna e recursos minerais.
Nesse sentido, vivemos um contexto duro de avanço da extrema direita,
no qual completamos mais de uma década do maior crime socioambiental da
história do Brasil, o rompimento da Barragem em Mariana (2015), tivemos também
a realização da Conferência Climática da ONU (COP30) em novembro na cidade de
Belém; e à revelia das lutas e mobilizações da sociedade, dentre esses dos
povos originários, tivemos a aprovação do Projeto de Lei de
licenciamento ambiental, mais conhecido como “PL da devastação”, entendido como
o maior retrocesso ambiental do país.
Convidamos a todes a participarem e somarem conosco nos 11° EIPS e 18°
ENPS, refletindo e analisando tal realidade complexa e desafiadora. E, conforme
elucida José Carlos Mariátegui, é mister entender que o “proletariado precisa,
agora mais do que nunca, saber ler o que se passa no mundo. E não pode sabê-lo
através das informações fragmentárias, episódicas, mal traduzidas e
pessimamente redigidas, na maioria dos casos, e sempre proveniente de agências
reacionárias” (Mariátegui, 2011). O marxista peruano nos desafia a partir de
“nossa própria realidade, na nossa própria linguagem” (Mariátegui, 2011) darmos
vida a um instrumento crítico e intelectual revolucionário."
Fonte das
informações: https://blog.ufes.br/enps/apresentacao/
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